Gilmar Mendes pede adiamento no STF e acusa Mendonça de usar Caso Master para interferir na eleição

Gilmar Mendes pede adiamento no STF e acusa Mendonça de usar Caso Master para interferir na eleição

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes fez duras acusações contra o ministro André Mendonça durante a sessão plenária extraordinária realizada nesta terça-feira (15). Ele afirmou que o relator do Caso Master no tribunal usou a retirada do sigilo de relatórios da Polícia Federal para interferir no processo das eleições presidenciais de 2026.

A declaração foi dirigida ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, no julgamento que analisa a abertura de um inquérito criminal contra o ministro Alexandre de Moraes com base em investigações da Operação Compliance Zero.

“Com todas as vênias e toda sinceridade presidente, é evidente e até as pedras sabem que há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como o tema foi conduzido. Isso não se faz, pessoas decentes não fazem isso”, disse Gilmar Mendes.

A declaração provocou resposta no ato por parte do relator. André Mendonça interrompeu a fala do decano ao classificar as acusações como “levianas” e exigir respeito em plenário.

“Não aponte o dedo para mim”, rebateu André Mendonça.

André Mendonça passou a ouvir o restante da manifestação em silêncio após Fachin garantir que ele terá tempo regimental para responder a todas as imputações. O decano apontou que a retirada do sigilo dos documentos, efetuada por Mendonça em 1º de setembro, foi cronometrada para alimentar as manifestações de oposição no feriado de 7 de Setembro.

“O interesse é evidente, acachapante. Evidente que se trata de um pixuleco, de um boneco eleitoral, é disso que estamos falando”, completou Mendes, em alusão aos protestos políticos.

Ao concluir sua sustentação, Gilmar Mendes formalizou uma questão de ordem solicitando a suspensão da apreciação até 23 de setembro. A data coincide com o julgamento agendado por Fachin para analisar a petição apresentada por Alexandre de Moraes, que pede a abertura de inquérito contra André Mendonça por suposto abuso de autoridade e direcionamento investigativo.

Após o término da manifestação de Gilmar Mendes, a sessão plenária foi suspensa para o intervalo de almoço. O presidente Edson Fachin destacou que a pausa era necessária também devido à interrupção do sinal da TV Justiça para a transmissão da propaganda eleitoral gratuita.

A sessão reúne o colegiado em meio a abstenções de peso. Mais cedo, os ministros Nunes Marques e Dias Toffoli declararam impedimento e suspeição, respectivamente, reduzindo o quórum de votantes sobre a PET 15.645.

Origem da crise e contraofensiva de Moraes

A crise no STF eclodiu quando Mendonça tornou públicos relatórios da PF que atribuem a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, o envio de 52 mensagens a Alexandre de Moraes entre 2023 e novembro de 2025. Os diálogos indicam tratativas sobre contratos comerciais do escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, além de supostos pedidos de informação sobre operações policiais. Moraes nega qualquer irregularidade e aponta a manifesta ilegalidade das provas recolhidas.

Em reação à divulgação das mensagens, Moraes apresentou ao Plenário um documento de inteligência que aponta suspeitas de que Mendonça teria instrumentalizado estruturas policiais para atingir pares no Judiciário. O desfecho da representação da Procuradoria-Geral da República (PGR) permanece sob análise do presidente Edson Fachin.

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