“Momento mais corrupto da história do Judiciário”, dispara Flávio Dino em sessão sobre Moraes no STF

“Momento mais corrupto da história do Judiciário”, dispara Flávio Dino em sessão sobre Moraes no STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez duras críticas à condução de procedimentos internos e ao ambiente institucional da Corte nesta terça-feira (15). Durante a sessão extraordinária convocada para julgar se o tribunal deve instaurar inquérito criminal contra o ministro Alexandre de Moraes, Dino declarou que o país atravessa “o momento mais corrupto da história do Poder Judiciário”.

Exercendo a magistratura desde 1994, o ministro esclareceu que o termo se referenciava à degradação das regras processuais e de poder.

“Quero dizer que é o momento mais corrupto da história do Poder Judiciário no Brasil. E digo com autoridade de quem exerce a função desde 1994. Eu sou daqueles que acham que a corrupção não justifica um combate corrupto à corrupção. E corrupção aqui eu não me refiro, repito, no sentido da improbidade, e sim no sentido aristotélico: formas corrompidas de exercício de poder”, declarou Dino.

Na mesma intervenção, Flávio Dino contestou a dinâmica de avocação e redistribuição da PET 15.645 ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. O magistrado argumentou que a garantia do juiz natural deve ser preservada rigorosamente para evitar a criação de precedentes perigosos nos tribunais do país.

“Em nenhum tribunal do país, não só no Supremo, um presidente pode destituir um relator. Se nós aceitarmos a avocatória, presidente, nós estaremos abrindo uma avenida de autoritarismo, de despotismo, de tirania nos tribunais que ninguém vai controlar”, alertou.

Em resposta imediata, o presidente Edson Fachin esclareceu que não avocou a matéria por iniciativa própria, mas recebeu a atribuição após o encaminhamento feito pelo relator do caso na Segunda Turma, ministro André Mendonça. Mendonça também interveio para ponderar que a remessa à presidência visou garantir a deliberação colegiada, considerando a menção a um integrante da Corte.

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