A dez dias do primeiro turno das eleições, a Meta desabilitou temporariamente a conta de anúncios da campanha do candidato à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A plataforma reativou as ferramentas de impulsionamento no mesmo dia após recurso protocolado pela equipe jurídica do presidenciável, mas não apresentou justificativa técnica para a interrupção.
Procurada para esclarecer as razões da suspensão do serviço, a multinacional não se manifestou até a publicação desta reportagem. A falta de esclarecimentos oficiais por parte da empresa sediada nos Estados Unidos intensificou a tese de que aliados do Governo americano trabalhem contra seus adversários políticos.
O atrito abrange outros cenários geopolíticos no contexto da atual situação internacional. Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025, o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, manifestou publicamente uma postura de maior alinhamento com as diretrizes do governo norte-americano para a atuação de empresas de tecnologia globais.
“Vamos trabalhar com o presidente Trump para pressionar os governos ao redor do mundo que estão perseguindo empresas americanas”, declarou Zuckerberg na ocasião.
A postura ostensiva da big tech entra em rota de colisão com a pauta de regulação das plataformas digitais defendida pela gestão brasileira. O plano de estabelecer marcos legais contra a desinformação, exigir transparência nos algoritmos e coibir práticas ilícitas no ambiente cibernético segue sob forte oposição das corporações de tecnologia e do governo dos Estados Unidos, ampliando a pressão institucional sobre o ecossistema digital no Brasil.





