O prefeito interino de Cabedelo, José Pereira (Avante), exonerou nesta segunda-feira quatro auxiliares de alto escalão que são alvos da operação da Polícia Federal e do Gaeco. A investigação apura um esquema de corrupção que teria desviado R$ 270 milhões dos cofres públicos por meio de uma aliança entre a prefeitura e uma facção criminosa que atua na cidade.
Entre os nomes afastados, destacam-se parentes diretos do prefeito afastado, Edvaldo Neto (Avante), e peças-chave da administração:
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Cynthia Denize Silva Cordeiro (Ex-secretária de Uso do Solo): Sogra de Edvaldo Neto. É apontada como a articuladora da aliança entre a prefeitura e a facção. Segundo a Justiça, ela seria advogada de “Fatoka”, chefe local do Comando Vermelho, e teria relações de confiança com Fernandinho Beira-Mar.
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Diego Carvalho Martins (Ex-Procurador-Geral): Cunhado de Edvaldo Neto. Suspeito de usar pareceres jurídicos para dar aparência de legalidade ao esquema e favorecer empresas terceirizadas específicas.
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Josenilda Batista dos Santos (Ex-secretária de Administração): Apontada como o braço operacional que recebia indicações da facção para contratações via empresas terceirizadas.
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Claudio Fernandes de Lima Monteiro (Ex-gerente de RH): Atuaria na blindagem dos contratos fraudulentos para evitar fiscalização interna.
Como funcionava o esquema
De acordo com o Ministério Público da Paraíba (MPPB) e a Polícia Federal, o grupo utilizava empresas terceirizadas para empregar membros de uma facção criminosa dentro da estrutura do poder público. Essa estratégia servia tanto para acomodar aliados do grupo quanto para facilitar o desvio sistemático de recursos públicos.
O desembargador Ricardo Vital de Almeida, em sua decisão, destacou que a influência de Cynthia Denize era contínua e fundamental para manter o “pacto” entre o executivo e o crime organizado.
Medidas Judiciais e Operação
Além das exonerações, a Justiça proibiu o acesso de sete pessoas às dependências da prefeitura, incluindo o prefeito afastado Edvaldo Neto e seu antecessor, Vitor Hugo. Durante a operação, 21 mandados de busca e apreensão foram cumpridos, inclusive em um apartamento de luxo em Intermares.
A força-tarefa, composta pela PF, Gaeco e CGU, continua analisando o material apreendido para detalhar a extensão do prejuízo e identificar outros envolvidos. Até o momento, as defesas dos citados não foram localizadas para comentar as acusações.





