Nunes Marques manda Meta fazer pente-fino no canal ‘Exército do Lula’

Nunes Marques manda Meta fazer pente-fino no canal ‘Exército do Lula’

Por Márcio Falcão, Luiz Felipe Barbiéri, Mariana Laboissière, Kellen Barreto, g1 e TV Globo — Brasília

 

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, deu 24 horas para que a Meta envie um amplo relatório com dados técnicos sobre o canal “Exército de Lula”.

Nunes Marques atendeu a um pedido feito pela campanha do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, que trata da verificação do plano de conformidade assinado pela empresa com o tribunal, que informa medidas adotada para prevenir e mitigar riscos à integridade do processo eleitoral.

A nova determinação é mais um capítulo da disputa em torno do canal. Na semana passada, Nunes Marques chegou a determinar sua suspensão.

O corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu essa ordem e reabilitou a página. Depois de novos desdobramentos, Nunes Marques determinou, em 14 de outubro, o restabelecimento integral do canal (entenda mais abaixo).

Nunes Marques autoriza reativação imediata do canal “Exército do Lula”

O relatório determinado pelo presidente do TSE deve conter:

  • a verificação dos fatos e dos elementos técnicos apresentados;
  • a existência de sincronização de atividades, replicação de mensagens e atuação coordenada entre contas, canais e plataformas;
  • os padrões de engajamento, alcance, compartilhamento e eventual amplificação artificial;
  • a circulação e redistribuição dos conteúdos, inclusive mensagens encaminhadas e conteúdos excluídos ou modificados;
  • a existência de publicidade paga, impulsionamento e distribuição patrocinada;
  • a aplicação efetiva do plano de conformidade e as providências eventualmente adotadas;
  • a análise fundamentada de todos os pedidos formulados no processo.

 

A decisão determina que a Meta explique quais critérios técnicos utiliza para diferenciar uma “mobilização legítima” de um “comportamento coordenado potencialmente irregular”.

Outra medida determinada para o Google é se identificaram amplificação coordenada dos termos e hashtags mencionados, entre 18 e 20 de outubro de 2026, em buscas em alta, sugestões de pesquisa e assuntos do momento.

Na decisão, o ministro esclarece que o foco da análise é “o confronto entre as providências formalmente informadas à Justiça Eleitoral e o funcionamento do mecanismo questionado”.

Ministro Kassio Nunes Marques — Foto: Luiz Roberto/TSE

Ministro Kassio Nunes Marques — Foto: Luiz Roberto/TSE

Lula entra no grupo

 

A decisão ocorre no mesmo dia em que os integrantes do canal “Exército do Lula” receberam um vídeo do presidente, em formato de selfie, e foram informados de que o próprio presidente passaria a integrar o canal.

Por volta do meio-dia, o deputado federal André Janones (Rede-MG), que administra o canal, anunciou que Lula entraria na ferramenta e poderia distribuir “missões” aos participantes.

Em áudio enviado aos participantes, Janones disse ter recebido uma ligação da primeira-dama, Rosangela Lula da Silva, a Janja, e afirmou que Lula estava com o celular em mãos e queria começar a enviar as orientações diretamente aos integrantes.

Na sequência, o deputado informou que havia incluído Lula como administrador do canal, o que permite o envio de mensagens. Segundo Janones, o contato do presidente foi salvo como “Marechal Lula da Silva”.

Pouco depois, o canal recebeu uma mensagem atribuída ao presidente com a palavra “cheguei”, acompanhada de um emoji de lula.

Também foi publicado um vídeo de Lula, em formato de selfie, no qual ele convidou os participantes para uma transmissão ao vivo com Janones, prevista para a noite desta quinta.

“Vocês viram que meu general está bravo, tá convocando todo mundo, e eu vou chegar exatamente às 19 horas. E eu quero todo o exército do Lula pronto, porque a batalha vai ser dura e nós vamos derrotar os adversários”, afirmou Lula.

Apesar da movimentação, a campanha de Lula ainda não confirmou se a mensagem atribuída ao presidente foi publicada pelo próprio Lula, diretamente de seu celular.

A participação ocorre um dia após Lula ganhar um celular e anunciar que passaria a integrar o canal.

O “Exército do Lula” está no centro de uma disputa na Justiça Eleitoral. O canal chegou a ser suspenso por determinação de Nunes Marques e foi posteriormente restabelecido.

Entenda o vai e vem das decisões sobre o caso

 

A disputa começou depois que a campanha de Flávio Bolsonaro pediu ao TSE a suspensão do “Exército do Lula”, alegando divulgação de informações falsas.

Em 11 de outubro, Kassio Nunes Marques determinou a suspensão do canal. No mesmo dia, porém, Ricardo Villas Bôas Cueva, relator do caso, suspendeu a ordem e determinou a reativação da página.

Uma análise técnica do TSE não identificou conteúdos falsos entre as publicações que estavam no ar e foram examinadas.

A exigência foi cumprida pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que registrou o endereço eletrônico do canal no TSE. O canal é administrado pelo deputado federal André Janones.

 

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