Testemunhas do caso da morte de Guilherme Pereira e da namorada Ana Luiza, durante uma abordagem policial no bairro de Muçumagro, em João Pessoa, em 2024, foram ouvidas na manhã desta segunda-feira (11), durante uma audiência de instrução sobre o caso. A audiência foi realizada pela 1ª Vara do Tribunal do Júri de João Pessoa.
Na ocasião, foram ouvidas cinco testemunhas, incluindo o pai de Ana Luiza e a mãe de Guilherme. O réu Thiago Almeida Filho não foi ouvido, e a continuidade da audiência foi marcada para o dia 29 de maio.
A audiência não foi concluída e terá continuidade em data posterior, tanto em razão da necessidade de oitiva das demais testemunhas arroladas no processo quanto a pedido da defesa do réu, cujo advogado informou estar de atestado médico, alegando dores na coluna e impossibilidade de prosseguir, naquele momento, com a inquirição de todas as testemunhas.
O advogado da família do casal divulgou a decisão em que o policial militar foi tornado réu no dia 10 de março de 2026, e o documento foi confirmado pelo g1.
Um processo administrativo na Corregedoria da Polícia Militar contra Thiago Almeida e outros quatro policiais militares que participaram da abordagem que resultou na morte do casal está em curso e ainda não há decisão sobre eventuais medidas administrativas contra os policiais. Os outros policiais não respondem criminalmente pela morte dos jovens.
O jovem Guilherme Pereira, que pilotava uma moto em que a namorada Ana Luiza também estava, foi atingido com um tiro na cabeça antes da colisão, é o que revela um laudo da Polícia Civil que o g1 teve acesso no ano passado.
O laudo, assinado por três peritos do Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC), aponta que o cadáver de Guilherme apresenta perfuração transfixante no crânio resultante de tiro de arma de fogo, ou seja, o jovem foi atingido com um tiro na cabeça. O documento constatou que a bala entrou pelo lado esquerdo da cabeça da vítima e saiu no lado direito.
Para chegar na conclusão do laudo, os peritos analisaram não somente o corpo do jovem, mas também fizeram análises no capacete utilizado por Guilherme enquanto pilotava a moto. Nessas análises, conforme o documento, houve a constatação de que o capacete também foi perfurado pelo projétil.
O outro documento que o g1 teve acesso trata-se de um relatório da Polícia Civil, assinado pela delegada Luísa Correia, que indiciou o policial militar pois considerou que a munição que atingiu o jovem era “similiar a utilizada em fuzis” da PMPB.
No mesmo documento de indiciamento, foi informado que policiais militares que participaram da ronda que seguiu a moto dos jovens em novembro de 2024 tiveram pedido protocolado junto ao Comando da Polícia Militar para verificação das armas utilizadas naquele dia. Dois dos policiais disseram, em depoimento para a polícia, que portavam fuzis durante a ação. O documento diz que “o policial efetuou o disparo de arma de fogo que atingiu o jovem na cabeça e provocou a colisão da moto”.




